11/03/2017

TUPARETAMA - O COMEÇO DA VILA BOM JESUS E SUAS PRIMEIRAS IGREJAS


Em 1983 na gestão do prefeito Pedro Torres Tunu a prefeitura iniciou o loteamento do Bairro Bom Jesus, inicialmente denominado Vila Bom Jesus. A vila teve início com a doação de 140 terrenos e de material para a construção das primeiras residências. 

Os terrenos que compõem a área inicial da Vila Bom Jesus foram adquiridos pela Prefeitura, de Otaviano Florêncio (Zé da Barra), Francisco Zeferino (Seu Chiquinho) e José Leopoldino da Silva, sendo que este último já possuía uma casa no local. 

A primeira residência construída no novo loteamento foi o imóvel de propriedade de Moacir Florêncio dos Santos. Num curto período de tempo ergueram-se muitas casas e pontos comerciais, formando ruas e definindo a Vila. 

Ainda no primeiro mandato de Pedro Tunu a prefeitura construiu os prédios públicos do Centro Social Zé Pretão (depois transformado em Creche Municipal e atualmente sede da Casa das Juventudes), da Cadeia e da Escola Francisco Zeferino inaugurados em 1986 durante a visita à cidade do governador do estado, Roberto Magalhães. 

A Assembléia de Deus foi a primeira igreja construída na vila, em 09 de agosto de 1987.

Em 1988 padre Adelmo Santos Simões celebrou a primeira missa católica na Vila Bom Jesus, no terreno doado pela prefeitura para a construção da capela. 

A capela católica foi construída no ano de 1991, com a renda de festas, leilões, rifas e bingos, tendo à frente das promoções a equipe de professoras municipais da Escola Francisco Zeferino e líderes comunitários como Luiz Leopoldino e Pedro Cordeiro. 

A primeira missa na capela foi celebrada em 1991 pelo padre Alberto Rodrigues, quando foi escolhida, em reunião com os fiéis e líderes comunitários, a padroeira da capela, Nossa Senhora da Conceição (Imaculada Conceição). A imagem da santa foi doada por Pedro Tunu. A promoção da festa da padroeira teve início naquele mesmo ano, no mês de dezembro. 

Tárcio Oliveira 
Texto revisado de "Tuparetama, o Livro do Município"


Por gentileza citar a fonte e autor ao utilizar essas informações

QUE TEMPOS SÃO ESTES...?

Dois homens armados, numa motocicleta, fizeram na terça-feira dia 07 uma sequência de assaltos rápidos nos três postos de combustíveis da cidade (clica aqui pra ler reportagem a respeito). O montante roubado era pequeno e eles conseguiram fugir. A repercussão foi grande, espalhando-se pelas redes sociais tão rápida quanto a ação dos assaltantes. O crescimento do medo e da insegurança são conseqüências imediatas desse tipo de acontecimento que infelizmente vem se tornando cada vez mais corriqueiro na região. 

    A mim, quero confessar, causa mais temor e tristeza o que leio nas redes sociais após esses assaltos que propriamente a gravidade dos delitos. As pessoas comentam e cometem uma espécie de tiroteio a esmo, baleando lógica, ética, bom senso. Pelo que escrevem deduzimos que a sociedade é a vítima e Ninguém é culpado de nada, a culpa é como sempre dos governantes (eleitos por quem?), da falta de leis e de justiça (cobradas e fiscalizadas por quem?), da falta de policiamento (será que um em cada esquina resolveria?) e, claro, dos bandidos. Aí começam as soluções estarrecedoras: “Tinham que atirar pra derrubar esses bandidos” “Tem que matar” “Bandido bom é bandido morto” e para coroar o desfile de frases fascistas, alguns ainda acrescentam: “Bolsonaro 2018”. Claro, pois o remédio de um bandido é outro no poder. Ou, “olho por olho, dente por dente”. 

    “Bandido bom é bandido morto” virou mantra. Mas não é uma frase original, deriva de outra frase impiedosa e nada cristã, usada de modo recorrente no processo violento e desumano de ocupação das terras brasileiras com o massacre de populações inteiras de indígenas, incluindo crianças, mulheres e idosos: “Índio bom é índio morto”. A história da formação deste país é tão sangrenta quanto desconhecida pela maioria de nós. Não fomos um povo pacífico e banhamos com sangue de índios, camponeses e mulheres as terras brasileiras. Teremos dificuldades em localizar algum território habitado sem um passado de histórias de lutas desiguais e massacrantes. 

     O vencedor de ontem e de hoje impõe seu velho lema na guerra do nosso tempo: “Bandido bom é bandido morto”. Agora a presença incômodasuja e ameaçadora que precisa ser combatida a ferro, fogo, balas e grades é o “bandido”. E repete-se o slogan com a mesma naturalidade com que se consome a hóstia na missa do domingo ou uma ave-maria antes de deitar-se: “Bandido bom é bandido morto”. 

Só que a frase é confusa, pois embora queira generalizar, não se aplica a todos os bandidos, ou seja, àquelas pessoas que infringem a lei, que cometem crimes. 

O bandido de que se fala é o bandido pobre, o pé de chinelo, o noiado, o favelado, o negro, o sem escolaridade. Esse é o bandido que merece morrer, sobre quem a polícia ou qualquer cidadão “de bem” pode descarregar suas armas. 

O bandido rico, o empresário que corrompe, sonega, lava dinheiro e compra políticos NÃO. O político que desvia verbas, rouba dinheiro de saúde, da educação, da merenda, das obras e do saneamento, esse NÃO. O empreiteiro que superfatura obras e constrói paredes com material de terceira que se desmancham com facilidade, esses também NÃO. O ídolo que sonega impostos, bate na mulher ou manda que a matem e joguem o corpo aos cães, NÃO. O negociante que sonega impostos, contrata sem carteira assinada, não paga o salário mínimo, vende mercadorias sem notas ou superfatura preços, também NÃO. O pastor que recebe propinas e lava milhões de dólares na sua igreja, esse também NÃO. Os senadores, deputados e vice-presidente golpistas e denunciados por receber milhões em propinas, esses bandidos NÃO. 

       Não tem que matar ninguém, nem o bandido pobre nem o bandido engravatado. 

      Matar é um ato violento extremo, a supremacia do abuso sobre a existência de outra criatura. Não matarás é um dos primeiros mandamentos cristãos embora um dos mais desrespeitados, pois que até Jesus morreu não de velhice mas de “morte matada”, injustamente condenado. No entanto Matar parece ser inerente ao instinto humano: matamos por medo, prazer, ciúme, inveja, vingança, ódio, cobiça...por tudo matamos. Desde insetos pequenos que nos incomodam, animais que nos alimentam ou nos servem até os rios, árvores e solos que nos sustentam! 

    Parece óbvio: Já que matar é um componente tão natural da nossa espécie, por que não haveríamos que querer matar aquilo que não consideramos nossos iguais, que não consideramos nem humanos: os bandidos. Mas nenhuma sociedade se mantém de pé sem o alicerce da lei e do respeito à dignidade humana. Não se faz Justiça com as próprias mãos, o nome disso é vingança, abuso de poder. Justiça de verdade requer um sistema de leis, proteção, punição e recuperação que nos elevem à condição de criaturas superiores e não de animais irracionais movidos pelo ódio e pela sede de sangue. 

     Numa frase: bandido bom é bandido preso. E prisão útil à sociedade é a prisão que recupera.


Tuparetama-PE | março, 2017
Este texto foi publicado originalmente no blog Tarcio Viu Assim[]

A VIDA É TREM BALA, PARCEIRO. E A GENTE É SÓ PASSAGEIRO PRESTES A PARTIR *

_ Você já percebeu que o nome de Tuparetama não aparece no GPS do celular nem nas localizações do Google Maps em alguns lugares da cidade como o Terminal Rodoviário e meu bairro? 

Chico fazia essa observação com sincera revolta. “Como pode? Tá errado, é nossa cidade e aparece como se fosse São José do Egito”. Ele me disse que já tinha enviado e-mail para o IBGE, o Google e o Governo do Estado para que corrigissem a falha. Mas que até o momento nada de respostas. 

_ Chico, talvez isso tenha a ver com o satélite e o sistema do Google. Como essa área da cidade fica no limite com o território do município de São José do Egito é provável que daí surja esse conflito de localização. 

Mas Chico não se conformava com a mutilação geográfica de sua cidade. "Tem que ver isso na Prefeitura. Talvez através do prefeito seja mais fácil solicitar e ter uma correção desse problema. Eu já falei com o prefeito e com o pessoal da prefeitura pra ver. É uma vergonha pra gente: um morador ou visitante da cidade vai fazer a busca no GPS e aqui aparece como se pertencesse a outro lugar". 

Essa conversa se deu em meados do ano passado e sirvo-me dela para ilustrar o profundo sentimento de cidadão apaixonado pela cidade de Tuparetama que foi nosso amigo Chico, o conhecido Francisco da Rodoviária. 

O grande coração de Chico parou na terça-feira de carnaval antecipando uma quaresma de tristeza e dor para a família e os amigos. Coração calejado de menino pobre do sertão, da zona rural, que nunca se dobrou diante das adversidades. Passara, no decorrer de quase vinte anos, por duas cirurgias e aguardava uma terceira. Ainda jovem e lutador, Chico acreditava na vida e na sua recuperação. Assim era – cheio de fé e otimismo- o companheiro da professora Sandrinha, a bela parceira que contribuiu para moldar um Francisco mais adulto, maduro, equilibrado. Juntos formaram um casal admirável. 

Empreendedor e funcionário exemplar, responsável e atencioso, Chico deixa esse legado de bons serviços prestados e de máxima atenção às pessoas que precisavam dos seus serviços. Deixa, sobretudo o exemplo de amor à cidade que o acolheu. 

Por um grande período ele trabalhou como chefe do Setor de Limpeza Urbana, nas gestões dos ex-prefeitos Pedro Tunu e Vitalino Patriota. Em 2004 com a mudança de gestor ele foi substituído e saiu do quadro de servidores, pois não era funcionário efetivo. Lembro-me de algumas conversas de então com Chico e guardo ainda aquela impressão de seu singular perfil: ele continuava atento e preocupado com a limpeza da cidade, sofria não pelo fato de ter perdido o emprego (até porque já possuía o trabalho na agência da Progresso) mas pela possibilidade de seu sucessor não dar conta do recado e a cidade ficar suja ou perder a fama de uma das mais limpas e belas do Pajeú! 

Esse foi nosso Chico e tudo isso é apenas uma minúscula amostra do grande conterrâneo que perdemos. E que o céu ganhou. O Chico que cuidou da boa viagem de tantas pessoas, por tantos anos, também fez sua viagem para uma outra estação. 

(*O verso que dá título a este texto é da música 'Trem Bala' de Ana Vilela)

Tuparetama, 1ª semana de março de 2017
Tárcio Oliveira
Texto publicado originalmente no blog Tarcio Viu Assim