01/05/2011

OLHA ELA AÍ NA NOSSA PORTA !

[Conversas sobre as eleições em Tuparetama - 01]


Os dias passam tão rápido nos tempos atuais que apesar da impressão de que as eleições para prefeito foram há poucos meses, a constatação é que a campanha para as eleições de 2012 já está a pleno vapor e começa a tomar as ruas.

Zelando pela verdade, o correto mesmo é dizer que em Tuparetama a campanha começou no dia três de outubro de 2008, quando no fulgor da vitória, os narradores da apuração gritavam no microfone do carro-de-som, em frente à prefeitura, para uma multidão eufórica: É Sávio Torres! É pisa! É arroxo! É Romero 2012! O candidato estava lançado.

E lá se vão quase três anos. Celeridade do tempo!

Cá do meu canto de observador imparcial, vou tentar descrever um painel do atual momento da corrida eleitoral em Tuparetama .

Nas recentes entrevistas aos meios de comunicação o Prefeito Sávio Torres tem afirmado que não é tempo de falar em sucessão, que a campanha “ainda” será no próximo ano, que o nome do candidato será definido pelo partido e, que ele não tem pensado nisso agora. As declarações de Sávio Torres repetem as mesmas palavras de outros prefeitos da região, mas até as crianças de colo sabem, claro, que uma das coisas com que os prefeitos tem se preocupado e com o que vão se engalfinhar de agora até junho de 2012 será a indicação dos seus candidatos.

Quando os políticos falam, é bom estar atento às entrelinhas dos seus fraseados: “O que eles estão querendo dizer, falando disso, se não é nisso que estão pensando?” nos indagamos.

Voltemos ao terreno de Tuparetama. Diz-se que há um acordo de cavalheiros entre os partidos da situação e entre Sávio Torres e Romero Perazzo, de que seria ele, Romero, o candidato a prefeito na campanha 2012. Este acordo existe mesmo? Se existe, por que Sávio declara a esta altura do jogo que não tem candidato ainda e que o nome será indicado pelo partido, até possivelmente através de uma pesquisa de opinião a ser feita no início de 2012? E quais seriam os nomes propostos nessa pesquisa de opinião? Uma facção da situação, levada sabe-se lá por quais intenções... (provocar um “racha” num grupo que é coeso, forte e vencedor?) arquiteta quase às claras nas ruas uma campanha pelo nome alternativo de Valmir Tunu, atual secretário de Transportes.

Ou seja, enquanto não confirma o nome de Romero como candidato, o líder do PDT Sávio Torres, dá espaço, sem querer, para o surgimento de outros candidatos dentro da coligação que o elegeu e aumenta, claro, suas próprias dores de cabeça. Percebe-se que entre muitos caciques dos partidos que elegeram Sávio Torres e Romero, há ainda hoje, após 8 anos de parceria, certa rejeição e desconfiança sobre o grupo de Romero Perazzo, antigos adversários políticos.

Na oposição o desafio é a união em torno de um nome. Se em quatro anos os fragmentos que compõem essa oposição política não conseguiram se unir num único bloco coeso, articulado e amedrontador, uma coligação única parece ser impossível em menos de 12 meses.

Há a oposição declarada, que representa o “outro lado” da característica bipolarização política de cidades do interior. Essa oposição, esse outro lado, tem em Vitalino Patriota e Joel Gomes suas principais lideranças.

Vitalino sofre o desgaste natural de quem já foi prefeito por três vezes e também por não ter conseguido eleger sua esposa, Vanilda, na eleição passada. Há um outro problema, que talvez tenha sido o fator determinante da derrota de Vanilda: a falta de recursos e de financiamento para a campanha política. Vitalino é da base local de apoio ao Governo do Estado. Tanto na primeira quanto na segunda eleição de Eduardo Campos. Mas esse trunfo está menor porque agora Sávio Torres também compartilha do grupo de apoio ao governador e ele, Eduardo, sempre esteve mais interessado na sua carreira e seu futuro político do que no apoio aos seus defensores ou nas desavenças internas das cidades interioranas e de pequeno porte como Tuparetama.

Quanto a Joel Gomes, que também não conta com o apoio exclusivo do Governador, parece-me que seu grande desafio é conseqüência da sua virtude: por fiscalizar, como deve fazer um vereador, a administração municipal e denunciar erros, faltas e falhas, acaba por atrair para si a ira e a antipatia da maior parte dos tuparetamenses que aprova a gestão do prefeito Sávio Torres.

Finalmente, neste assunto eleitoral, pergunta-se se há uma terceira via em Tuparetama. Bem, ela vem se desenhando e tentando criar uma identidade desde a eleição anterior, encabeçada pelo vereador Edvan Cesar, o Dêva. Ainda apresenta-se, ela a 3ª via, muito confusa para o eleitor: ora parece ser situação, ora parece ser oposição. E que propostas traz para se diferenciar das velhas formas de governo dos dois grupos políticos que tradicionalmente se revezam no poder?

Eu não sou político, não sou nem analista político, mas se há algo para dizer a Dêva e ao grupo que lhe apóia, diria que 3ª via não vai pra frente se anda sobre o muro. Quem confia numa alternativa que pode cair, a qualquer momento, para um lado ou outro lado do muro?

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