23/12/2010

VIDAS QUE VALEM UM CONTO VII – o da moça da bicicleta

Quando o caminhão pegou a menina ela corria pela estrada com a bicicleta Monark ano 86.
Nove ou dez horas da manhã, ela ia para a cidade com uma encomenda da tia.

Tinha deixado de ir para a escola porque desistiu do ano. Para ajudar os pais no roçado: muita chuva em março e abril, precisavam de todas as mãos da casa e de todas as horas do dia no trabalho da lavoura, para aproveitar o inverno.

Foi assim, com o lucro de alguns sacos de milho, que ganhou sua bicicleta.

Da cabeça estourada pelo pneu do automóvel sangue e miolos misturaram-se com insistência à terra, sua sina, seu fôlego curto.


imagem - obra de Iberê Camargo / DAQUI

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