16/11/2010

JESUS, MEU JESUS SERTANEJO....

Roteiro para espetáculo de natal  - Para apresentação em arena ou rua

CENA 1
Música. Entra o Capitão em seu cavalo e executa piruetas e movimentos característicos dos folguedos populares. Após música, fala consigo mesmo:

Sertão, sertão... entra ano e sai ano 
e tudo me parece que continua ao Deus-dará.
Tanta coisa pra se fazer,
tantos males pra consertar,
tanto futuro pra construir,
tanto destino pra se mudar...
Se a gente não resolver começar... quando irá melhorar?
Entra ano e sai ano... e a gente a lamentar...
Espera daqui, espera dali,
Espera do céu, espera do governo, espera um milagre
E o sertão continua como está....
[ percebe a platéia, muda de tom ]
Ah, vocês estão aí! 
Boa Noite! 
Sejam bem-vindos!
Vocês não me conhecem, deixem eu me apresentar: Sou Capitão Silvino, sou do sertão tal Tu, tal Ela, tal  todos ou quase todos que aqui vieram esta noite!


Mas não sou um sertanejo comum,
Sou fruto da arte e da imaginação, sou atual e secular,
Sou talvez da mesma idade deste lugar....

Eu me lembro quando isso aqui era mar
E de quando o mar secou para virar chão
E das árvores que haviam por aqui
E dos animais que corriam nesta terra e voavam neste céu...
[ divagando novamente ] Aí vieram os homens.... cortaram as árvores,
caçaram e mataram os animais, 
destruíram a terra, restou  esse Sertão....

Mas não estou aqui apenas para lamentar!
Cada um de vocês que abra seu olho e seu coração
E procure fazer a sua parte
Se quiser mesmo ver isso aqui mudar
Se quiser mesmo trazer vida boa e vida nova ao Sertão!

Mas enfim!  Quanto discurso, quanta ladainha.... é que ando tão sentimental, tão filosófico....  é comum nesta época do ano,!  Pois estou aqui porque o tempo é chegado.
Tempo de .... festejar! 

[ Corre e faz piruetas com seu cavalo e ao passar por fora da cena, volta acompanhado dos artistas que vêm cantando e tocando instrumentos regionais]
Sim meu senhor e minha senhora
É chegada a hora de celebrar !
[ Os artistas fazem coreografia ao ritmo de música alegre e se posicionam ao fundo da cena ]

Queremos pedir licença ao distinto público  presente
para deixar um pouco de lado nossas mazelas
e reviver através da linguagem universal e espiritual da arte
o momento mágico e divino do renascimento da esperança
no coração de todos os homens! 

Vamos abrir agora a bandeira da fraternidade,
nós nordestinos, devotos por excelência,
louvamos os homens de boa-vontade
e iniciamos nossa jornada de amizade e companheirismo,
de festa e alegria, convidando a todos para nos darmos as mãos.

[ Com música os artistas dançam e saem de mãos dadas – pode ser uma ciranda, por exemplo ]

Pois quem sabe dizer em qual mês estamos?  (resposta do público)
E dezembro é mês de quem?  (resposta do público
O mês do menino JESUS!
É sempre dezembro no coração dos homens de bem, é sempre Natal, presente de Deus para a humanidade!
Mas espere... quem é a humanidade?
O que é a humanidade? 
Não será presença viva no poeta que canta ?, no artista que encanta, no chão que amamos?, na gente simples e humilde que um dia ouviu da Boa Nova do Mestre Maior: - Eu estou presente no teu irmão mais carente e humilde...?

[ Ouve-se a música dos artistas que estão voltando ]

Quem vem lá? Quem vem lá?  É a gente do povo, a humanidade desejando a chegada de dias melhores!

[ Faz piruetas com seu cavalo e sai, enquanto os artistas entram conduzindo adereços para a montagem da Lapinha em cena ]


CENA 2 - 

Após montagem da “lapinha”, sempre com música, entra o Anjo tocando seu pífano: 

Anjo:   Este lugar está em festa aqui é mundo também
           Vem oh menino Deus, vem,
           trazer esperança
           chamar pra festança
           semear a verdade, o caminho e o bem. 

[ Entram José e Maria, trazendo no colo a criança. À frente vêm mais anjos conduzindo estrelas como estandartes. Todos colocam-se em seus lugares.  Volta o Capitão e saúda José, Maria e o menino] :

Trago na minha alegria para vos saudar
inspiração nos versos do poeta tão grande que foi todas nossas falas
que foi João, foi Cabral, Melo e também Neto:
De sua formosura deixai-me que diga,
é tão belo quanto a amizade,
que une a todos aqui presentes.

A terra inteira já sabe
Que o Messias nasceu!
Pobre e simples como nós
Gente do povo como EU!

[ Apontando para os diversos locais distantes ] Vejam todos na ribanceira daquela serra
E vindo ali desse outro lado lá no pé do serrote
E também do lado de cá da cabeceira do Rio: 
São roceiras e roceiras, benzedeiras e parteiras
criadores e vaqueiros, abioadores e moças solteiras:
Lá da roça, do campo onde labutam 
Estão chegando,  se rindo, contentes
Atraídos pela luz divina que se derrama sobre a gente
Neste terreiro abençoado!

[ Entram todos, cantando e dançando enquanto o Capitão sai ]

[ Após a apresentação dos visitantes da Lapinha, que deve ser feita em ritmo de folguedo popular,  o Capitão volta  à cena, puxando uma carroça com a boneca gigante (uma atriz/dançarina vestida de boneca) . A carroça vem cheia de presentes que devem ser oferecidos ou sorteados entre o público no final da apresentação (pode ser brinquedos e roupas adquiridos em campanhas e doações antecipadas, para distribuição com crianças e famílias da localidade onde está sendo feita a apresentação)  Os presentes estão cobertos por grandes buquês de flores artesanais de papel ou reciclagem.  O Capital dirige-se  à Sagrada família e oferece flores a cada um.  Volta à carroça de onde tira a boneca para dançar forró: ]

Ô Nega, Nega maluca! Catirina danada cadê tu? Vem cá Nega Maluca. Vem saudar o pessoal e festejar o Menino Abençoado com tua dança!
  
[ A boneca ganha vida e dança  com o Capitão. Em seguida entra um vaqueiro aboiando.  Também em ritmo e melodia de aboio, declama: ]

Vaqueiro:        Grande Capitão Silvino
                        Que comanda este brinquedo
                        Homem de fé, afamado
                        Em todo velho Sertão
                        São José e Santa Mãe [ faz reverência ]
                        Bom Jesus Deus Menino [ faz reverência ]
                        Vim correndo vim voando
                        No meu cavalo alazão
                        Pra dizer que estão chegando
                        três reis do Oriente
                        Vêm saudar o maior Rei
                        Que hoje brilha entre a gente!
                      
Capitão:  Os Reis Magos estão chegando! Vamos dançar o Reisado!

[ Música, todos dançam enquanto os 3 reis entram . Em seguida os 3 reis entregam seus presentes]

Capitão :          Senhores donos da casa,
Jesus, José e Maria
Todos vocês conterrâneos
Que conosco festejaram
Seja pobre seja rico
Seja Luiz, seja Lia
Seja calor seja frio
Seja seca ou inverno
Somos todos uma só família
Estamos todos numa só nave.

Assim como o tempo passa
Também todos nós passamos
Só a verdade de Deus permanece
Só o amor de Jesus é pra sempre

Mas o que nós fazemos da vida
Do pouco tempo que temos
Da terra onde vivemos
Dos bens que nós desfrutamos
Dos laços que nós atamos
Dos saberes que nós aprendemos
É que faz a diferença
É que faz o natal ser verdade ou fantasia
Ser sonho ou realidade...

É que faz ter sentido
A vida que temos vivido! .

Queremos apenas com essa pequena demonstração de festa e cultura
dizer que não há nada mais rico que o homem
e nada mais forte que um homem unido num mesmo ideal com outros homens!

Viva o natal!
Viva a gente!
Viva o Sertão!

[Ao som de música  todos pegam  pássaros de dobradura de papel branco (que trouxeram consigo junto dos figurinos e adereços) e distribuem entre as pessoas da platéia, chamando-as para dançar.

Escrito originalmente em setembro de 2003 para apresentação do Rotaract de Tuparetama em dezembro do mesmo ano, no Ginásio de Esportes.



Ilustração:  DAQUI

2 comentários:

  1. -Lindo texto Tárcio, realmente encantador e bem ao estilo regional que tanto preso já está na minha lista de projetos para encenação futura. Espero que voce libere, rsrsrs...

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