29/11/2010

VIDAS QUE VALEM UM CONTO X – O DA MULHER DO BECO

Tinha nome de santa, Maria da Glória, mas era nosso arquivo à mão para palavrões e xingamentos.

A gente descia em bandos pela ladeira do beco onde ela morava - num quartinho de aluguel - e cada um batia na porta gritando: Maria Boca Porca! Maria Mão de Onça!

No final da ladeira aguardávamos, platéia de comédia, que ela saísse gesticulando com o braço são, o outro pendido como uma tira sem vida, onde se via a mão fechada e virada para o cotovelo, lembrando a pata do felino. Ninguém sabia mais palavrões que ela, ninguém dizia mais nomes feios por segundo que a pobre puta de cintura larga, pernas finas, cabelos sem penteado. Se praga pegasse, nenhum de nós estaria vivo para relembrar aqueles momentos de crudelíssima diversão infantil.

Antes de partir, jogávamos pedrinhas com as mãos e com baleadeiras na santa rapariga do beco, fazendo com que ela voltasse ao quartinho, gritando de lá outro rosário de palavras novas, de nomes de doenças estrambólicas.

Que fim terá levado Maria da Glória, cuja lembrança hoje inunda meus olhos de lágrimas?

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imagem DAQUI

22/11/2010

VIDAS QUE VALEM UM CONTO – IV: O DO DESGOSTO

Em junho vai fazer cinco anos da morte de Eliezer. Ele se jogou da Pedra-do-Chapéu, rocha de mais de quatro metros de altura, no cume do serrote ao pé da sua casa velha.

Quando o encontraram estava com o rosto atolado numa poça de sangue e barro, pescoço quebrado, braços e pernas desconformes, formigas nele todo. Os vizinhos de sítio estranharam o silêncio (Eliezer nem aboiou hoje... nem um pio a gente andou escutando dele hoje) a ausência prolongada, o feijão esquecido na panela, no fogo, espalhando cheiro de queimado até longe, nas redondezas.

Quando veio a morte de Eliezer eu estava com 13 anos de idade, mudando a voz. (Vai moleque! Cuida em crescer! Tá virando homem! Riáh, riáh, riáh!) dizia espalmando a mão grossa sobre minha cabeça quente do sol, com uma risada grave e amiga. Uma vez, uma vez somente confessou a saudade e o desgosto: (Se meu filho tivesse aqui ia ter a tua idade, era pra ser como tu....). Eu sabia desde criança, porque todos falavam como de um segredo de morte, que a mulher fugira com um parente de Eliezer, a criança ainda nos panos. (Uma mulher dessas! Coitado do Eliezer! Tá se vendo que nem o filho era dele, só podia ser de outro). Com essas sentenças encerravam a narrativa da desgraça.

E Eliezer nunca mais trouxe mulher nenhuma pra dentro de casa nem voltou a falar no assunto. O pessoal, por respeito e até vergonha, nem falava do acontecimento da traição na frente dele.

De volta da escola eu parava na casa velha. Ouvia estórias que ele contava como ninguém ali sabia, enfeitando, imitando a voz dos bichos, arregalando os olhos, encerrando com gravidade num ensinamento moral. A gente tomava um café forte e grosso, mal coado, na sala somada das cantigas do rádio, único luxo numa prateleira da parede. Eliezer se admirava e se ria das mudanças que eu apresentava tão depressa, quase todo dia - espinhas, buço, tronco largo, cabelo nas pernas.... (Ê danado! Tu vai ficar homem ligeiro!). Fui percebendo que havia um contentamento certo com uma dor escondida nessas palavras, nesses agrados, um querer de pai com a gente, sem poder.

E foi assim: tanto quanto eu crescia e mudava de menino em rapaz, mais a gente ia ficando afastado, menos amigo. Quanto mais eu mudava pouco parava na casa de Eliezer, menos ele se alegrava comigo, menos conversa, mais exposto o olhar molhado, doído.

Vai fazer cinco anos, desde aquela tarde quando eu voltava da escola e avistei o tumulto do pessoal em redor do finado, que deixei de usar calção. Disse em casa que não ia mais usar roupa de menino, só calça comprida. Como um homem.

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21/11/2010

TEATRO INACABADO I - Monólogo da perversão

SALA OU QUARTO LÚGUBRE. O ATOR EM CENA ENCARA SEUS FANTASMAS INTERNOS E CONVERSA COM ELES:

ATOR: Nenhuma pausa, nenhum significado. Eis um resumo do nosso tempo. Eu não sei como você chegou até aqui, você não sabe porque estamos aqui agora, mas... finalmente nos encontramos. 
(Exibe um utensílio transparente, com líquido vermelho )
Veja isto. É sangue. Quanto há dele nesta jarra? Um litro? Talvez. Eu gosto de me cercar de informações que no final das contas não acrescentam nada de importante ao que já se sabe, ou não se sabe. Faz diferença se é um litro? Bem, assim, nesta quantidade e nesta vasilha, talvez nos convença de que é um suco, uma bebida para acompanhar um lanche qualquer. Mas é sangue, nem duvide disso.
(Para uma figura que entra vestida sobriamente)
Não! não entre agora, não entre agora! Saia, saia! 
(A figura sai de cena
Você não viu nada; ela não deveria chegar neste momento. Foi um equívoco da minha imaginação. Que isto também não nos surpreenda, nossa imaginação vive pregando peças. Sim, devemos concordar que nada é real. Nada é real, é uma verdade... 
(Uma lembrança súbita e excitante vem à sua mente)  
E quando eu gritava isso para ele, dentro daqueles olhinhos escuros, arregalados, tensos, úmidos... “Nada é real! Nada é real!”
(Ri abafado
Ele não entendia... porque a dor, mesmo falsa, é tão presente, tão intensa!
(Morde a mão e grita de dor, cospe longe a saliva com sangue. Retira um lenço do bolso, enrola a mão e daí a pouco o lenço está vermelho de sangue).
(Uma figura etérea, quase enfermeira - há também um quê de erótico no seu modo e no seu traje- entra e toma sua mão, iniciando um curativo
(Passivamente e um tanto satisfeito, ele declama enquanto ela trabalha)
“A base de uma grande amizade é a sinceridade. 
Essa verdade nos torna fortes 
e cada vez mais amigos, 
pois somos transparentes 
e refletimos exatamente 
o que estamos sentindo. 
Assim a gente se entende 
e se ajuda mutuamente” 
(Há ironia e sarcasmo no tom de voz e nas suas expressões ). 
Traiçoeira é a memória. Nunca decorei coisa alguma, nem mesmo data de aniversário dos amigos mais próximos e veja, desde que recebi essa mensagem no cartão que ele me trouxe, essa besteira sem sentido algum, ela grudou em mim. “A base de uma grande amizade é a sinceridade...” 
(Dá grandes risadas
A gente quer acreditar em tudo! Se há alguma serventia na história é para nos ensinar que não se deve acreditar no homem. E nós continuamos insistindo no contrário... . Pobres bestas é o que somos! 
(Escuro)
(Noutro plano uma figura adolescente entra, se despe. O ator observa com perturbação
Sim, é este o corpo mas eu não lembro o rosto... não este rosto, assim não, o mesmo talvez, mas outra expressão... (Ordena:)
Outro rosto! Outro! 
(Outra figura entra, foco no rosto
Não ainda não... outro, outro ! 
(Uma terceira figura, foco no rosto
Eu não o encontro, eu não consigo! Tem idade para ser meu filho! Tão jovem! Outro! Outro! Quem será? Onde ele está, onde? 
(Outras figuras entram, despidas, todos têm corpo juvenil, confundem quanto à idade algo entre a infância e a adolescência
Ele não está em lugar nenhum e eu preciso cansar de buscá-lo. Eu preciso parar. 
(No centro do palco ele abre um grande chuveiro e banha-se como está, vestido, enquanto as figuras somem à sua volta. Desmancha o curativo e lava o lenço).
“Somos transparentes e refletimos exatamente o que estamos sentindo...” 
(Súbito, noutro tom, enquanto desliga o chuveiro):
Eu preciso desaparecer! Eu preciso sair de onde estou, ir embora!
...
(continua)
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17/11/2010

PELAS RUAS DA CIDADE

[ Texto de janeiro de 2004 .  Publicado no jornal independente Gazeta do Pajeú ]

Passeio pelas ruas da cidade. Ainda mais deserta e silenciosa agora que chove e já passa das 23 horas. Nenhum cachorro para latir, nenhum galo que cante, nenhuma risada de roda de conversas na praça. Eu somente e a chuva. Eu, minha solidão, o frio e a chuva. Observo os reflexos de luz encarnada na água sobre o calçamento, essa luz nova que a Celpe está colocando em todos os postes da cidade, como é que se diz? De mercúrio? Lembra o lume de candeeiro apesar da forte claridade. Finalmente a empresa decidiu iluminar a cidade, penso, nem contente nem alheio, depois de nos deixar um bom tempo na penumbra. 

Vago pelas ruas e meu pensamento vagueia assim, procurando qualquer coisa pra não desabar, até as atividades da Celpe servem neste caso. Seguem comigo a saudade que percebo alojada lá no fundo da alma, num tempo inconsciente, saudade ou lembrança talvez de um tempo passado e há séculos distante, assim frio, úmido e sentimental...  seguem comigo esta saudade antiga e o gosto presente de um beijo que não provei. A boca estava ali, a dez centímetros da minha, a vontade era todo eu, podia ter usado a força e roubado o beijo. Tive receios, fui racionalizar, taí...nenhum covarde vive feliz. 

Paro em frente a lojinha do Boticário, sento na parede de um dos canteiros da praça molhada e fico olhando a vitrine que dorme. Dormem os perfumes e maquiagens guardadas lá dentro, fantasia e desejos acessíveis a tão poucos... dar-lhe um presente daquela loja seria uma outra tentativa de agradar e quem sabe conquistar  o beijo. . . as meninas da loja, sempre bem arrumadas, cheirosas, atenciosas e por isso mesmo supra-sertanejas não entenderão meu pedido: " Eu queria encontrar um perfume como o que está aqui, na memória de antigamente, que a mente ainda sabe qual é, mas o nariz nem sente". Deixemos as meninas do Boticário em paz, Iara com seus encantos, Dedé com seus outros tantos... também estarão dormindo agora. 

Eu sozinho na rua, levanto e sigo, meu nariz começa a gotejar, as orelhas ardem, dos olhos as lágrimas misturam-se à chuva. Enquanto sigo em círculos vem à mente a lembrança de um conto de Caio Fernando Abreu em “Morangos Mofados”, de um cara que passeia atormentado pela chuva com uma bebida sobre a capa e diante da porta fechada – seu destino final- bate, bate, bate sem resposta, e sem parar.

[ com algumas alterações e correções em novembro de 2010 ]
imagem DAQUI

16/11/2010

PASSARINHO EM VOCÊ

“Eles passarão / Eu passarinho” ( Mário Quintana)

Acredito que pode ter um passarinho em você. Não guardado, como se você fosse uma gaiola qualquer. Não. Temos gaiolas demais neste mundo.
Você pode ter um passinho, ser-com-ele, uma coisa só. Seu braço, sua asa. Sua mente, seu coração, seu olho, sua língua: todos passarinho em você.
E a qualquer hora do dia voar dentro de Tuparetama.
Tuparetama precisa de muitos passarinhos voando dentro dela.
Porque passarinho é coisa leve e há uma massa pesada que se gruda às paredes e ao piso de Tuparetama;
Porque passarinho é coisa cantante e há gemidos e ranger de dentes nas bocas pobres, simples e humildes de Tuparetama;
Porque passarinho é coisa de cor e há cinzas e sombras nas mentes tão vivas de Tuparetama;
Porque passarinho é coisa pequena e há tantos pesadelos de grandeza esmagando Tuparetama;
Porque passarinho é coisa que voa e há tantos corpos que rastejam por Tuparetama;
Porque passarinho é essencialmente liberdade e ainda se deve aprender como destrancar ferrolhos de portas, janelas e caminhos de Tuparetama.
Um passarinho sozinho que diferença fará, entre tantos gatunos à espreita...?
Tenhamos coragem de ser o que podemos ser.
Podemos ser passarinhos. Centenas de asas abertas erguendo-se do chão ao céu, erguendo conosco à luz, às nuvens, Tuparetama.
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JESUS, MEU JESUS SERTANEJO....

Roteiro para espetáculo de natal  - Para apresentação em arena ou rua

CENA 1
Música. Entra o Capitão em seu cavalo e executa piruetas e movimentos característicos dos folguedos populares. Após música, fala consigo mesmo:

Sertão, sertão... entra ano e sai ano 
e tudo me parece que continua ao Deus-dará.
Tanta coisa pra se fazer,
tantos males pra consertar,
tanto futuro pra construir,
tanto destino pra se mudar...
Se a gente não resolver começar... quando irá melhorar?
Entra ano e sai ano... e a gente a lamentar...
Espera daqui, espera dali,
Espera do céu, espera do governo, espera um milagre
E o sertão continua como está....
[ percebe a platéia, muda de tom ]
Ah, vocês estão aí! 
Boa Noite! 
Sejam bem-vindos!
Vocês não me conhecem, deixem eu me apresentar: Sou Capitão Silvino, sou do sertão tal Tu, tal Ela, tal  todos ou quase todos que aqui vieram esta noite!


Mas não sou um sertanejo comum,
Sou fruto da arte e da imaginação, sou atual e secular,
Sou talvez da mesma idade deste lugar....

Eu me lembro quando isso aqui era mar
E de quando o mar secou para virar chão
E das árvores que haviam por aqui
E dos animais que corriam nesta terra e voavam neste céu...
[ divagando novamente ] Aí vieram os homens.... cortaram as árvores,
caçaram e mataram os animais, 
destruíram a terra, restou  esse Sertão....

Mas não estou aqui apenas para lamentar!
Cada um de vocês que abra seu olho e seu coração
E procure fazer a sua parte
Se quiser mesmo ver isso aqui mudar
Se quiser mesmo trazer vida boa e vida nova ao Sertão!

Mas enfim!  Quanto discurso, quanta ladainha.... é que ando tão sentimental, tão filosófico....  é comum nesta época do ano,!  Pois estou aqui porque o tempo é chegado.
Tempo de .... festejar! 

[ Corre e faz piruetas com seu cavalo e ao passar por fora da cena, volta acompanhado dos artistas que vêm cantando e tocando instrumentos regionais]
Sim meu senhor e minha senhora
É chegada a hora de celebrar !
[ Os artistas fazem coreografia ao ritmo de música alegre e se posicionam ao fundo da cena ]

Queremos pedir licença ao distinto público  presente
para deixar um pouco de lado nossas mazelas
e reviver através da linguagem universal e espiritual da arte
o momento mágico e divino do renascimento da esperança
no coração de todos os homens! 

Vamos abrir agora a bandeira da fraternidade,
nós nordestinos, devotos por excelência,
louvamos os homens de boa-vontade
e iniciamos nossa jornada de amizade e companheirismo,
de festa e alegria, convidando a todos para nos darmos as mãos.

[ Com música os artistas dançam e saem de mãos dadas – pode ser uma ciranda, por exemplo ]

Pois quem sabe dizer em qual mês estamos?  (resposta do público)
E dezembro é mês de quem?  (resposta do público
O mês do menino JESUS!
É sempre dezembro no coração dos homens de bem, é sempre Natal, presente de Deus para a humanidade!
Mas espere... quem é a humanidade?
O que é a humanidade? 
Não será presença viva no poeta que canta ?, no artista que encanta, no chão que amamos?, na gente simples e humilde que um dia ouviu da Boa Nova do Mestre Maior: - Eu estou presente no teu irmão mais carente e humilde...?

[ Ouve-se a música dos artistas que estão voltando ]

Quem vem lá? Quem vem lá?  É a gente do povo, a humanidade desejando a chegada de dias melhores!

[ Faz piruetas com seu cavalo e sai, enquanto os artistas entram conduzindo adereços para a montagem da Lapinha em cena ]


CENA 2 - 

Após montagem da “lapinha”, sempre com música, entra o Anjo tocando seu pífano: 

Anjo:   Este lugar está em festa aqui é mundo também
           Vem oh menino Deus, vem,
           trazer esperança
           chamar pra festança
           semear a verdade, o caminho e o bem. 

[ Entram José e Maria, trazendo no colo a criança. À frente vêm mais anjos conduzindo estrelas como estandartes. Todos colocam-se em seus lugares.  Volta o Capitão e saúda José, Maria e o menino] :

Trago na minha alegria para vos saudar
inspiração nos versos do poeta tão grande que foi todas nossas falas
que foi João, foi Cabral, Melo e também Neto:
De sua formosura deixai-me que diga,
é tão belo quanto a amizade,
que une a todos aqui presentes.

A terra inteira já sabe
Que o Messias nasceu!
Pobre e simples como nós
Gente do povo como EU!

[ Apontando para os diversos locais distantes ] Vejam todos na ribanceira daquela serra
E vindo ali desse outro lado lá no pé do serrote
E também do lado de cá da cabeceira do Rio: 
São roceiras e roceiras, benzedeiras e parteiras
criadores e vaqueiros, abioadores e moças solteiras:
Lá da roça, do campo onde labutam 
Estão chegando,  se rindo, contentes
Atraídos pela luz divina que se derrama sobre a gente
Neste terreiro abençoado!

[ Entram todos, cantando e dançando enquanto o Capitão sai ]

[ Após a apresentação dos visitantes da Lapinha, que deve ser feita em ritmo de folguedo popular,  o Capitão volta  à cena, puxando uma carroça com a boneca gigante (uma atriz/dançarina vestida de boneca) . A carroça vem cheia de presentes que devem ser oferecidos ou sorteados entre o público no final da apresentação (pode ser brinquedos e roupas adquiridos em campanhas e doações antecipadas, para distribuição com crianças e famílias da localidade onde está sendo feita a apresentação)  Os presentes estão cobertos por grandes buquês de flores artesanais de papel ou reciclagem.  O Capital dirige-se  à Sagrada família e oferece flores a cada um.  Volta à carroça de onde tira a boneca para dançar forró: ]

Ô Nega, Nega maluca! Catirina danada cadê tu? Vem cá Nega Maluca. Vem saudar o pessoal e festejar o Menino Abençoado com tua dança!
  
[ A boneca ganha vida e dança  com o Capitão. Em seguida entra um vaqueiro aboiando.  Também em ritmo e melodia de aboio, declama: ]

Vaqueiro:        Grande Capitão Silvino
                        Que comanda este brinquedo
                        Homem de fé, afamado
                        Em todo velho Sertão
                        São José e Santa Mãe [ faz reverência ]
                        Bom Jesus Deus Menino [ faz reverência ]
                        Vim correndo vim voando
                        No meu cavalo alazão
                        Pra dizer que estão chegando
                        três reis do Oriente
                        Vêm saudar o maior Rei
                        Que hoje brilha entre a gente!
                      
Capitão:  Os Reis Magos estão chegando! Vamos dançar o Reisado!

[ Música, todos dançam enquanto os 3 reis entram . Em seguida os 3 reis entregam seus presentes]

Capitão :          Senhores donos da casa,
Jesus, José e Maria
Todos vocês conterrâneos
Que conosco festejaram
Seja pobre seja rico
Seja Luiz, seja Lia
Seja calor seja frio
Seja seca ou inverno
Somos todos uma só família
Estamos todos numa só nave.

Assim como o tempo passa
Também todos nós passamos
Só a verdade de Deus permanece
Só o amor de Jesus é pra sempre

Mas o que nós fazemos da vida
Do pouco tempo que temos
Da terra onde vivemos
Dos bens que nós desfrutamos
Dos laços que nós atamos
Dos saberes que nós aprendemos
É que faz a diferença
É que faz o natal ser verdade ou fantasia
Ser sonho ou realidade...

É que faz ter sentido
A vida que temos vivido! .

Queremos apenas com essa pequena demonstração de festa e cultura
dizer que não há nada mais rico que o homem
e nada mais forte que um homem unido num mesmo ideal com outros homens!

Viva o natal!
Viva a gente!
Viva o Sertão!

[Ao som de música  todos pegam  pássaros de dobradura de papel branco (que trouxeram consigo junto dos figurinos e adereços) e distribuem entre as pessoas da platéia, chamando-as para dançar.

Escrito originalmente em setembro de 2003 para apresentação do Rotaract de Tuparetama em dezembro do mesmo ano, no Ginásio de Esportes.



Ilustração:  DAQUI