11/03/2017

TUPARETAMA - O COMEÇO DA VILA BOM JESUS E SUAS PRIMEIRAS IGREJAS


Em 1983 na gestão do prefeito Pedro Torres Tunu a prefeitura iniciou o loteamento do Bairro Bom Jesus, inicialmente denominado Vila Bom Jesus. A vila teve início com a doação de 140 terrenos e de material para a construção das primeiras residências. 

Os terrenos que compõem a área inicial da Vila Bom Jesus foram adquiridos pela Prefeitura, de Otaviano Florêncio (Zé da Barra), Francisco Zeferino (Seu Chiquinho) e José Leopoldino da Silva, sendo que este último já possuía uma casa no local. 

A primeira residência construída no novo loteamento foi o imóvel de propriedade de Moacir Florêncio dos Santos. Num curto período de tempo ergueram-se muitas casas e pontos comerciais, formando ruas e definindo a Vila. 

Ainda no primeiro mandato de Pedro Tunu a prefeitura construiu os prédios públicos do Centro Social Zé Pretão (depois transformado em Creche Municipal e atualmente sede da Casa das Juventudes), da Cadeia e da Escola Francisco Zeferino inaugurados em 1986 durante a visita à cidade do governador do estado, Roberto Magalhães. 

A Assembléia de Deus foi a primeira igreja construída na vila, em 09 de agosto de 1987.

Em 1988 padre Adelmo Santos Simões celebrou a primeira missa católica na Vila Bom Jesus, no terreno doado pela prefeitura para a construção da capela. 

A capela católica foi construída no ano de 1991, com a renda de festas, leilões, rifas e bingos, tendo à frente das promoções a equipe de professoras municipais da Escola Francisco Zeferino e líderes comunitários como Luiz Leopoldino e Pedro Cordeiro. 

A primeira missa na capela foi celebrada em 1991 pelo padre Alberto Rodrigues, quando foi escolhida, em reunião com os fiéis e líderes comunitários, a padroeira da capela, Nossa Senhora da Conceição (Imaculada Conceição). A imagem da santa foi doada por Pedro Tunu. A promoção da festa da padroeira teve início naquele mesmo ano, no mês de dezembro. 

Tárcio Oliveira 
Texto revisado de "Tuparetama, o Livro do Município"


Por gentileza citar a fonte e autor ao utilizar essas informações

QUE TEMPOS SÃO ESTES...?

Dois homens armados, numa motocicleta, fizeram na terça-feira dia 07 uma sequência de assaltos rápidos nos três postos de combustíveis da cidade (clica aqui pra ler reportagem a respeito). O montante roubado era pequeno e eles conseguiram fugir. A repercussão foi grande, espalhando-se pelas redes sociais tão rápida quanto a ação dos assaltantes. O crescimento do medo e da insegurança são conseqüências imediatas desse tipo de acontecimento que infelizmente vem se tornando cada vez mais corriqueiro na região. 

    A mim, quero confessar, causa mais temor e tristeza o que leio nas redes sociais após esses assaltos que propriamente a gravidade dos delitos. As pessoas comentam e cometem uma espécie de tiroteio a esmo, baleando lógica, ética, bom senso. Pelo que escrevem deduzimos que a sociedade é a vítima e Ninguém é culpado de nada, a culpa é como sempre dos governantes (eleitos por quem?), da falta de leis e de justiça (cobradas e fiscalizadas por quem?), da falta de policiamento (será que um em cada esquina resolveria?) e, claro, dos bandidos. Aí começam as soluções estarrecedoras: “Tinham que atirar pra derrubar esses bandidos” “Tem que matar” “Bandido bom é bandido morto” e para coroar o desfile de frases fascistas, alguns ainda acrescentam: “Bolsonaro 2018”. Claro, pois o remédio de um bandido é outro no poder. Ou, “olho por olho, dente por dente”. 

    “Bandido bom é bandido morto” virou mantra. Mas não é uma frase original, deriva de outra frase impiedosa e nada cristã, usada de modo recorrente no processo violento e desumano de ocupação das terras brasileiras com o massacre de populações inteiras de indígenas, incluindo crianças, mulheres e idosos: “Índio bom é índio morto”. A história da formação deste país é tão sangrenta quanto desconhecida pela maioria de nós. Não fomos um povo pacífico e banhamos com sangue de índios, camponeses e mulheres as terras brasileiras. Teremos dificuldades em localizar algum território habitado sem um passado de histórias de lutas desiguais e massacrantes. 

     O vencedor de ontem e de hoje impõe seu velho lema na guerra do nosso tempo: “Bandido bom é bandido morto”. Agora a presença incômodasuja e ameaçadora que precisa ser combatida a ferro, fogo, balas e grades é o “bandido”. E repete-se o slogan com a mesma naturalidade com que se consome a hóstia na missa do domingo ou uma ave-maria antes de deitar-se: “Bandido bom é bandido morto”. 

Só que a frase é confusa, pois embora queira generalizar, não se aplica a todos os bandidos, ou seja, àquelas pessoas que infringem a lei, que cometem crimes. 

O bandido de que se fala é o bandido pobre, o pé de chinelo, o noiado, o favelado, o negro, o sem escolaridade. Esse é o bandido que merece morrer, sobre quem a polícia ou qualquer cidadão “de bem” pode descarregar suas armas. 

O bandido rico, o empresário que corrompe, sonega, lava dinheiro e compra políticos NÃO. O político que desvia verbas, rouba dinheiro de saúde, da educação, da merenda, das obras e do saneamento, esse NÃO. O empreiteiro que superfatura obras e constrói paredes com material de terceira que se desmancham com facilidade, esses também NÃO. O ídolo que sonega impostos, bate na mulher ou manda que a matem e joguem o corpo aos cães, NÃO. O negociante que sonega impostos, contrata sem carteira assinada, não paga o salário mínimo, vende mercadorias sem notas ou superfatura preços, também NÃO. O pastor que recebe propinas e lava milhões de dólares na sua igreja, esse também NÃO. Os senadores, deputados e vice-presidente golpistas e denunciados por receber milhões em propinas, esses bandidos NÃO. 

       Não tem que matar ninguém, nem o bandido pobre nem o bandido engravatado. 

      Matar é um ato violento extremo, a supremacia do abuso sobre a existência de outra criatura. Não matarás é um dos primeiros mandamentos cristãos embora um dos mais desrespeitados, pois que até Jesus morreu não de velhice mas de “morte matada”, injustamente condenado. No entanto Matar parece ser inerente ao instinto humano: matamos por medo, prazer, ciúme, inveja, vingança, ódio, cobiça...por tudo matamos. Desde insetos pequenos que nos incomodam, animais que nos alimentam ou nos servem até os rios, árvores e solos que nos sustentam! 

    Parece óbvio: Já que matar é um componente tão natural da nossa espécie, por que não haveríamos que querer matar aquilo que não consideramos nossos iguais, que não consideramos nem humanos: os bandidos. Mas nenhuma sociedade se mantém de pé sem o alicerce da lei e do respeito à dignidade humana. Não se faz Justiça com as próprias mãos, o nome disso é vingança, abuso de poder. Justiça de verdade requer um sistema de leis, proteção, punição e recuperação que nos elevem à condição de criaturas superiores e não de animais irracionais movidos pelo ódio e pela sede de sangue. 

     Numa frase: bandido bom é bandido preso. E prisão útil à sociedade é a prisão que recupera.


Tuparetama-PE | março, 2017
Este texto foi publicado originalmente no blog Tarcio Viu Assim[]

A VIDA É TREM BALA, PARCEIRO. E A GENTE É SÓ PASSAGEIRO PRESTES A PARTIR *

_ Você já percebeu que o nome de Tuparetama não aparece no GPS do celular nem nas localizações do Google Maps em alguns lugares da cidade como o Terminal Rodoviário e meu bairro? 

Chico fazia essa observação com sincera revolta. “Como pode? Tá errado, é nossa cidade e aparece como se fosse São José do Egito”. Ele me disse que já tinha enviado e-mail para o IBGE, o Google e o Governo do Estado para que corrigissem a falha. Mas que até o momento nada de respostas. 

_ Chico, talvez isso tenha a ver com o satélite e o sistema do Google. Como essa área da cidade fica no limite com o território do município de São José do Egito é provável que daí surja esse conflito de localização. 

Mas Chico não se conformava com a mutilação geográfica de sua cidade. "Tem que ver isso na Prefeitura. Talvez através do prefeito seja mais fácil solicitar e ter uma correção desse problema. Eu já falei com o prefeito e com o pessoal da prefeitura pra ver. É uma vergonha pra gente: um morador ou visitante da cidade vai fazer a busca no GPS e aqui aparece como se pertencesse a outro lugar". 

Essa conversa se deu em meados do ano passado e sirvo-me dela para ilustrar o profundo sentimento de cidadão apaixonado pela cidade de Tuparetama que foi nosso amigo Chico, o conhecido Francisco da Rodoviária. 

O grande coração de Chico parou na terça-feira de carnaval antecipando uma quaresma de tristeza e dor para a família e os amigos. Coração calejado de menino pobre do sertão, da zona rural, que nunca se dobrou diante das adversidades. Passara, no decorrer de quase vinte anos, por duas cirurgias e aguardava uma terceira. Ainda jovem e lutador, Chico acreditava na vida e na sua recuperação. Assim era – cheio de fé e otimismo- o companheiro da professora Sandrinha, a bela parceira que contribuiu para moldar um Francisco mais adulto, maduro, equilibrado. Juntos formaram um casal admirável. 

Empreendedor e funcionário exemplar, responsável e atencioso, Chico deixa esse legado de bons serviços prestados e de máxima atenção às pessoas que precisavam dos seus serviços. Deixa, sobretudo o exemplo de amor à cidade que o acolheu. 

Por um grande período ele trabalhou como chefe do Setor de Limpeza Urbana, nas gestões dos ex-prefeitos Pedro Tunu e Vitalino Patriota. Em 2004 com a mudança de gestor ele foi substituído e saiu do quadro de servidores, pois não era funcionário efetivo. Lembro-me de algumas conversas de então com Chico e guardo ainda aquela impressão de seu singular perfil: ele continuava atento e preocupado com a limpeza da cidade, sofria não pelo fato de ter perdido o emprego (até porque já possuía o trabalho na agência da Progresso) mas pela possibilidade de seu sucessor não dar conta do recado e a cidade ficar suja ou perder a fama de uma das mais limpas e belas do Pajeú! 

Esse foi nosso Chico e tudo isso é apenas uma minúscula amostra do grande conterrâneo que perdemos. E que o céu ganhou. O Chico que cuidou da boa viagem de tantas pessoas, por tantos anos, também fez sua viagem para uma outra estação. 

(*O verso que dá título a este texto é da música 'Trem Bala' de Ana Vilela)

Tuparetama, 1ª semana de março de 2017
Tárcio Oliveira
Texto publicado originalmente no blog Tarcio Viu Assim

24/01/2014

SAUDADES DE MANÉ DE CHICA

Cópia do convite da Missa de 30 dias de Mané
Há algumas semanas Tuparetama sepultava Mané. Era tardinha, um sol dourado deitando-se no poente espalhava sua luz sobre as pessoas da cidade e sobre o caixão pobre que acompanhavam.

Descia “Compadre Mané de Chica”, do abrigo de idosos – onde viveu seus últimos anos – ao cemitério antigo, passando pelas ruas onde viveu desde criança, sobre o tapete dourado de luz que o sol acendia nas pedras do calçamento. Tantas vezes os pés rudes e descalços de Mané pisaram estas pedras, agora estavam livres para deslizar sobre as nuvens de algum paraíso especial, que deve haver para os filhos de Deus que foram privados de tudo aqui na terra. 

Espécie de “louco” com juízo, Compadre era um tipo de figura folclórica dessas que toda cidadezinha do interior possuía, e que já não possui mais porque os tempos agora são outros, para o bem e para o mal, e uma das coisas que perdemos foi essa capacidade de adotar, tolerar e amparar como identidade cultural as pessoas diferentes ou nada condizentes com o sistema. Louco, criado por uma mãe louca, a também folclórica “Chica Doida”, vivendo de favores e doações, tal qual um São Francisco bonachão, Compadre sepulta consigo uma Tuparetama que já não existe mais. 

A Tuparetama do tempo de Mané e a Tuparetama de hoje tem muitas diferenças no tamanho, no ordenamento urbano e na infraestrutura que ambiciona (ou confunde) desenvolvimento com construção. Assim como fisicamente, também a identidade humana da Tuparetama de antes já não existe mais e por isso me pergunto se entre nós sobreviveria hoje um Mané de Chica. Percebe-se que há um embrutecimento da gente, uma agressividade crescente, uma intolerância nascente e persistente, umas chagas da sociedade “moderna” que começam a se abrir no tecido do nosso convívio: a violência, a insegurança, os assaltos, os entorpecentes, os desarranjos familiares... 

E nada é menos parecido com o jeito Mané de Chica de ser que essa nossa feição contemporânea desenhada pela Ambição. Estamos moldados e mobilizados pela ambição de poder, ambição de ter, ambição de parecer-ser, ambição de consumir e ambição de destruir o que nos desagrada ou diminui. O jeito Mané de Chica de ser se vai, deixando saudade. “Ê cumpade.... Ê cumade....” a voz grave de Mané logo cedo no portão, roupas gastas, pés descalços, barba por fazer, cigarro de fumo de rolo na mão, coçando o saco inocentemente, perguntando se tem lixo pra jogar fora em troca de algumas moedas ou de um prato de comida e com sua costumeira “cara de paisagem” sem medo de ser agredido ou repelido. 

Hoje não tem lixo pra botar fora não, cumpade, mas amanhã venha que tem um serviço aqui pra você, vamos limpar o mato que está tomando todo o quintal”. E Mané: “Amanhã não posso não Cumpade Amarelo (era assim que ele chamava meu pai), amanhã eu vou amanhecer doente. Cadê Cumade Amarela? Pergunte se não tem um cafezim pra mim”... 

Assim era Mané de Chica, condenado a uma longa vida de privações mas que cumpriu sem revoltas e com placitude a sua sentença. Tudo aquilo que (erroneamente) chamamos de sucesso ou sorte ou felicidade a vida lhe negou: beleza, carro, casa, trabalho diploma, dinheiro. Não teve amores, não teve uma esposa, não teve filhos, não ocupou nenhum cargo importante, não recebeu homenagens, não lhe fizemos jantares ou condecorações, não teve crediário, cartão ou conta bancária, não branqueou os dentes, não vestiu roupas de marca, nenhum perfume caro passou pelo seu corpo de mulato pobre. Que sofrimentos ou angústias a mente e o coração de Mané terão sofrido em noites de solidão e desamparo? Quantas vezes teria sentido o peso sombrio da depressão por não receber um abraço carinhoso, um beijo no rosto, um olhar mais amoroso? Se sofreu essas desditas que todo ser humano “normal” enfrenta, ele nunca demonstrou no seu dia a dia. E lá ia Mané, pelas calçadas nos saudando com seu jeito característico: “Ê cumpade... Ê cumade”... 

Não me lembro de alguém mais pobre e humilde que Mané, com tanta gente acompanhando seu enterro. Tuparetamenses de todas as idades e de todas as posições sociais estavam ali no Adeus a Compadre, de repente ou instintivamente cientes da sua importância humana. Também não me lembro de qualquer outro sepultamento com menos choro e lágrimas. Caberia com justiça na boca de Mané de Chica as palavras de Jesus: “Não chorem por mim, mas por vocês mesmos e por seus filhos”. Enquanto o caixão com o corpo de Mané descia à cova, me pus a imaginar a sua acolhida por Deus e me veio à mente a poesia Irene no Céu, de Manoel Bandeira: “Irene preta/ Irene boa/ Irene sempre de bom humor. Imagino Irene entrando no céu: - Licença, meu branco! E São Pedro bonachão: - Entra, Irene. Você não precisa pedir licença” 

Compadre Mané de Chica foi desses que não precisa pedir licença pra entrar no céu. 
*
Tárcio Oliveira
Tuparetama | janeiro de 2014 
PUBLICADA TAMBÉM EM www.tarcioviuassim.com

BARULHO

     

     Contam que o Senhor resolveu enviar novamente seus anjos à terra para observarem como tem se comportado a criação, mais especificamente a humanidade. É que Deus sendo onisciente sempre soube da natureza incorrigível dos seus filhinhos terrestres, mas romântico ao extremo como ao extremo são todas as qualidades divinas, alimenta a fantasia de que nem tudo se perca nesse seu projeto de criaturas predestinadas ao Céu.  E de fato, aqui e acolá desde que Adão e Eva acordaram no seu primeiro sopro, alguns santos servem de conforto contra a iminente decepção divina com o homem.

     Como estava a iniciar esta crônica, eis que há alguns poucos anos atrás – coisa bem recente – o Senhor reuniu seus enviados para ouvir os relatos de observação nas suas visitas a todos os pontos do planeta onde houvesse um aglomerado de gente, um arruado qualquer.  Fez mais o Senhor, em tempos de comunicação global e redes sociais, convocou em sonhos um blogueiro de cada lugar desses visitados para ouvir e depois “compartilhar” os relatos.  Pois é sabido que hoje em dia onde há gente, há também mosquito, cachorro e blogueiro e este último tem pelo menos a serventia de eficiente difusor.

     A reunião não se deu com todos ao mesmo tempo, digo isto antes que você me pergunte. Seria muita gente e muita informação simultânea, mesmo sendo a sala do trono do Senhor imensa em tamanho e em tecnologia. Cada anjo mensageiro teve seu momento de relato a sós com Deus e com o blogueiro, que ficou lá num canto só ouvindo e anotando tudo – nisto alguns tiveram sérias dificuldades, acostumados que estão a copiar e colar – e formatando o texto que transmitiria aos seus conterrâneos a lição a ser retirada daquela visitação determinada pelo Divino Criador.

     Então dito tudo isto peço perdão aos leitores de outras localidades, mas como puderam compreender até aqui, só tive acesso às informações de Tuparetama. Digo mais, não fui sequer o blogueiro  escolhido para a audiência. Não vou contar quem foi o predestinado nem como tive acesso às informações, isto faz parte do sigilo de fontes de todo blogueiro, só Deus sabe o que se deu entre nós (eu e o blogueiro) e se Ele permite que eu reconte aqui no blog o ocorrido, quem sou eu para deixar passar esta oportunidade! 

     A cada mensageiro, de cada lugar visitado, perguntou o Senhor: O que de pior observaste ali? E o anjo repórter passava a narrar, de modo breve e quase poético, como soa bem nas conversas celestiais.  Disse mais ou menos assim, sobre a velha Bom Jesus do Pajeú, nossa Tuparetama:

“Barulho, Ó Pai, é o que de pior encontrei nesse lugar.
Perderam as pessoas o caminho do silêncio e da contemplação.  Não se pode esperar nada de bom onde impera uma guerra diária, e sem tréguas, de ruídos e vozes estridentes.

Estou certo, Senhor misericordioso, que os grandes males dessa terra advém do barulho que aflige toda gente, toda alma, toda idéia, todo pensamento e toda tentativa de boa ação.  Barulho que quando não tolhe, atrapalha qualquer tentativa de progresso pessoal ou social.

Barulho de vozes: Vazias de sentido, de coerência, de ciência, de paciência e de tolerância.  E observa-se, Senhor, que quanto mais dessas notas possuem as vezes, mais estridentes e demoradas elas soam, na ânsia de convencer pelo grito ou pela altura, já que carecem de conteúdo.

Barulho de gestos:  Barulho de músculos e nervos tensos sobre os ossos, pois os beijos, abraços e afetos cada vez mais se guardam em bolsos das roupas ou nos braços cruzados.  Quase todos se tratam por estranhos, de longe, sem afetos – excetos entre os apaixonados ou entre aqueles com interesses pessoais. Há menos filhos beijando seus pais, há menos irmãos de mãos dadas nas ruas, há menos casais amando suas diferenças e superando seus defeitos com afetos.  O corpo dói e a dor do corpo produz um barulho mortal que fere a alma da gente.

Barulho de pensamentos: Pensa-se mal e pensa-se o mau de quase tudo e de quase todos. Nisso nem as preces estão ajudando, pois que se reza em troca de um favor, de uma ajuda ou de uma disputa que favoreça a si mesmo em detrimento do próximo. E não erro em afirmar, Senhor, que o barulho das mentes doentes é como uma ferida no ouvido da gente.

Barulho dos devotos: Sim, meu Pai, embora muitos afirmem ser seguidores do Teu Nome e dos Teus Ensinamentos, parece-me que escutam muito mais o apelo do Sistema em que vivem mergulhados que o apelo dos Evangelhos.  E nisso vivem mergulhados, em cantarem e orarem a plenos pulmões e pleno volume dos seus equipamentos, enquanto aguardam benefícios como sucesso profissional e riqueza capital.  É um barulho que incomoda e aliena, mas isso talvez façam menos por maldade que por ignorância. São como crianças numa sala do maternal gritando pela atenção da recreadora.

Indagou o Senhor: Encontraste entre a gente visitada alguém que pudesse servir de exemplo?

E respondeu o mensageiro: Alguns poucos, Senhor. Lembro-me muito vivamente do silêncio dourado de um irmão que passa a maior parte do seu tempo num quartinho humilde do Lar de Idosos da cidade.  Sua mente vagueia, quase esquecida de tudo, distante do tempo, das vozes e do barulho que porventura chegam até aquela  casa simples.  No silêncio, ressoa seu coração frágil que pulsa lentamente e que se alegra com a mão anônima que lhe dá alimento, banho e remédios.  Acredita ser de uma filha ou filho, mas estes lhe abandonaram há tempos.  Não importa, e nisso seu silêncio é mais belo. É a voz imensa do amor, que perdoa e releva todo sofrimento. No silêncio essa criatura busca a ti, Senhor, e em suas preces já quase infantis, pede pela saúde dos seus filhos.

     E Deus assentiu, balançando a cabeça positivamente". 

[]

Tárcio Oliveira
Tuparetama, 20 de janeiro de 2014
Publicada também em www.tarcioviuassim.com 

18/01/2012

CONVERSAS SOBRE AS ELEICOES EM TUPARETAMA - 5 : O PREFEITO SÁVIO TORRES DEIXA PARA ABRIL O ASSUNTO "CANDIDATO"

Estamos numa reunião de trabalho, discutindo alguns encaminhamentos para a festa do cinqüentenário do município, em 11 de abril. No final da reunião o prefeito Sávio Torres aproveita para, a seu modo, comentar comigo as últimas notas políticas que saíram no meu blog, chamando-me, em tom de brincadeira, de “fofoqueiro”. "Esse tipo de notícias só causa mais agitação e muita discussão, ainda é cedo demais para mexer com campanha eleitoral" reclama. E se queixa também da pressão que vem recebendo dos partidos da sua coligação para definir os candidatos para as eleições deste ano.

Mesmo pressionado, nada tira a tranquilidade do prefeito Sávio Torres. Entra no 8º ano de gestão municipal com um índice de 90% de aprovação, segundo pesquisa realizada no final de 2011. Somando os índices de “regular” “bom” e “ótimo” a aprovação sobe para 96%. Diante desses números brinco com ele e aproveito o gancho para tentar arrancar alguma declaração interessante para o blog, mesmo depois de ouvir sua reclamação:

“Essa pesquisa mostra que sua administração é quase uma unanimidade, prefeito. Você vai deixar a prefeitura com uma popularidade maior que Lula. Se Lula conseguiu impor e eleger uma candidata quase desconhecida, você pode indicar quem quiser para sua sucessão”.

Sávio ri, é um político muito esperto para cair na minha cilada simples. “Nenhum político consegue transferir 100% dos seus votos”, revida. “Bem, se transferir pelo menos 60% da popularidade para seu candidato, a eleição está decidida. Já dá pra anunciar quem são seus candidatos a prefeito e vice?” Dou mais uma forçada de barra, aproveitando que particularmente nesta tarde ele está disposto a conversar. Mas até numa conversa informal, é ele quem gosta de dar o tom e determinar o rumo:

"É burrice tratar de sucessão e campanha eleitoral a esta altura do ano. Anda é muito cedo, falar desse assunto agora só vai gerar desgaste e dor de cabeça. Escreva aí: assunto eleitoral eu só trato depois de abril. Até lá minha atenção, minha dedicação e meu empenho é para a festa dos 50 anos de Tuparetama. É para fazer uma grande festa, uma festa inesquecível que estou mobilizado e vamos mobilizar toda a equipe de governo”

E diz, encerrando: “Eleição não é assunto de administração pública, é assunto de partido político e só vamos tratar deste assunto depois da festa de aniversário da cidade. Antes disso, tudo que falarem será apenas fofoca sem fundamento...”

Bem, na verdade estou resumindo a conversa e omitindo algumas frases nas quais citamos nomes de pre-candidatos e de partidos. Mas diante da ênfase de tratar do assunto somente depois de abril, não sou eu quem vai cutucar a onça com vara curta agora. E afinal de contas, eu não sou fofoqueiro, né?

[Tárcio Oliveira - publicado também em www.tarcioviuassim2.blogspot.com]

16/01/2012

CONVERSAS SOBRE AS ELEICOES EM TUPARETAMA - 4 : JOEL GOMES: EU TAMBÉM SOU PRE-CANDIDATO DA OPOSIÇÃO.

A respeito do texto publicado ontem neste blog e no blog www.tarcioviuassim2.blogspot.com o nosso amigo e vereador (PR) Joel Gomes me enviou o seguinte texto:

UM POLÍTICO SÉRIO TEM QUE TER PRINCÍPIOS
Não existe a mínima possibilidade de subir no palanque do grupo do atual gestor do município de Tuparetama. É do conhecimento de todos que não comungo com suas deliberações, que mais carreiam para o lado "penal" do judiciário, em ações contrárias e praticadas contra os princípios do art. 37 da CFRB/88. Se me aliasse ao grupo da situação, estaria indo de encontro aos meus princípios.

O PR DE TUPARETAMA TEM CANDIDATO
Sou o atual presidente do PR municipal e recebi do deputado federal Inocêncio Oliveira (presidente estadual do PR) e de José Marcos de Lima, (secretário geral do PR), a tarefa de me colocar disponível para representar o partido como candidato a prefeito de Tuparetama. O bem estar do povo tuparetamense é a minha meta. Não desejo ser prefeito para "amaciar" meu ego. Sou humilde, respeitador, tenho por Tuparetama um carinho de quem me deu suporte para conhecer e vencer na vida, portanto lutarei todos os dias da minha vida para que a honestidade seja um princípio respeitado pelos administradores do município.

NÃO HÁ SENTIDO NA ADESÃO D FAMÍLIA DE VITALINO AO GRUPO DA SITUAÇÃO
Não acredito que Vitalino Patriota venha a compor uma chapa com o atual prefeito ou com alguém dos seus. Há pouco tempo foi Vitalino Patriota foi "escrachado" pelo atual gestor e por sua esposa, na Rádio TUPÃ FM, críticas que atingiram inclusive a ex-primeira dama Vanilda Patriota, pessoa que considero da mais alta representatividade junto à população carente, e que merece respeito, bem como Vitalino, homem probo, regrado na fé em Deus, político que governou Tuparetama por 3 vezes.

PARA BOM ENTENDEDOR, MEIA-INDIRETA BASTA
O que me dá suporte para me lançar candidato a prefeito de minha querida cidade é minha coerência política (por exemplo, nunca me aliei ao prefeito para que aprovasse um projeto meu). É saber o que é bom para o povo e o que não corresponde as expectativas deste mesmo povo. Veja bem, por convicção e lealdade ao meu grupo nunca, em momento algum, estive lado a lado com o prefeito, ou mesmo viajando em sua companhia para galgar aprovação de projetos em benefício próprio. Outra coisa: jamais critiquei Vitalino e os seus familiares na tentativa de me sobrepor ao grupo, até por que não encontrei desabono na sua conduta como gestor.

HÁ VEREADORES QUE PECARAM NA DEFESA DOS DIREITOS DO CIDADÃO
Nestes meus muitos anos como legislador vi, por vezes, o descompromisso de alguns parlamentares que se diziam "a favor do povo', mas, na hora de votar, o que falou mais alto foi seu próprio ego. Particularmente votei contra vários projetos do executivo que prejudicam a população: contra o parcelamento dos recursos do FUMPRETU (o caixa deixado pelo ex-prefeito Vitalino foi de R$ 280.000,00 e esse montante sucumbiu sem deixar paradeiro); votei contra o aumento da CIP (Contribuição de Iluminação Pública) que até hoje não sabemos onde e como são aplicados os recursos arrecadados; denunciei os empréstimos fraudulentos efetuados pelo gestor junto ao Banco Matone, chegando a sofrer ameaças a minha vida; abraçei a causa dos Agentes Comunitários de Saúde e fui fator preponderante para legalização destes; apresentei emenda ao PCC dos Professores, assegurando-lhes o repasse de acordo com os valores do governo federal e a data; apresentei o projeto do dia da evangelização (dia 31/10), que tem objetivos amplos para que os evangélicos comemorem tal data; apresentei projeto para que o indicado a ocupar cargos comissionados só assumam se tiverem "ficha limpa" e tantos outras ações que apresentarei no momento oportuno.

A OPOSIÇÃO É PLURAL E PARTE DELA ESTÁ COMIGO. MAS ESTAMOS ABERTOS AO DIÁLOGO
Os partidos PR, PV, PHS e outros identificam-se com o perfil da minha pre-candidatura pois detem características políticas-sócio-econômicas para Tuparetama iguais às nossas, incluindo-se a transparência, liberdade, dignidade com a coisa pública, honestidade, respeitos as pessoas e, acima de tudo, vontade de construir um amanhã em comum acordo com o nosso povo. Tenho bom trânsito também com o PT, que é comandado por Reinaldi Daniel, homem de posição e nosso amigo de muitos anos. Mas não estamos fechados ao diálogo. Queremos conversar com os outros partidos e lideranças, no sentido de construir uma união que fortaleça a oposição e seu eventual candidato majoritário.

De olho nas eleições 2012, nosso blog reafirma publicamente o propósito de informar o leitor/eleitor e de fomentar o debate democrático. Assim como Dêva e Joel Gomes, outros políticos locais trarão também suas idéias e informações. Por outro lado, não abrimos mão do nosso direito de análise e opinião. E quanto a você, prezado(a) visitante do blog, se sentir aquela coceirinha no dedo ou na língua, comente e opine também. A expressão é livre, desde que evite o anonimato e palavrões.

[ Tárcio Oliveira ]

15/01/2012

CONVERSAS SOBRE AS ELEIÇÕES EM TUPARETAMA : Dêva Pessoa é candidato.

Na noite de ontem (sábado, 14) após uma longa reunião (das 7 às 10) para analisar a conjuntura local e traçar estratégias de ação, as jovens lideranças dos partidos de oposição PDT, PSB e PSD fecharam compromisso em torno da candidatura a prefeito de Edvan Cesar Pessoa (PSD), o popular Dêva.

Também ficou definido que o candidato a vice sairá do grupo, provavelmente um desses três nomes: Denis de Deassis, Gustavo Galvão (Boquinha) ou Junior Honorato. Quatro candidatos a vereadores foram definidos na reunião: Anderson Rodrigues, Tiago Lima, Fátima Nascimento e Gilmar Aguiar.

Segundo Deva o grupo está aberto ao diálogo com outros partidos e lideranças de Tuparetama. Para entender o recado de Dêva, vamos analisar como se desenha o cenário político atual no município:

1- Os partidos da situação ainda não definiram seus candidatos. A maior liderança do grupo é naturalmente o prefeito Sávio Torres (PTB) numa situação confortável com a administração com mais de 80% de aprovação. O candidato de Sávio Torres é seu vice, Romero Perazzo, mas vem crescendo dentro do grupo um movimento em torno do nome de Valmir Tunu, secretário de Transportes. A indicação de Valmir Tunu ganha força com os rumores de adesão da família Patriota (Vanilda, Diórgenes e George Patriota). Se as conversas que circulam na cidade são verdadeiras, Sávio Torres tem à escolha três nomes: Romero Perazzo, Valmir Tunu e George Patriota. Um dos três sobrará.

2- Os partidos PR, PV e PT ainda não definiram sua posição. Estão divididos entre ser da situação ou da oposição. Vejamos o caso do PT: Ainda é parceiro e faz parte do grupo de apoio ao prefeito Sávio Torres, mas continua sendo um partido sem expressão e sem votos no município. Essa é a questão que aflige os petistas locais: como pode um partido que é “governo” há 8 anos não crescer e não eleger um vereador sequer? Não ter nem mesmo uma secretaria na administração municipal ? O atual presidente do partido, Reinaldi Daniel tem uma postura mais “independente” e mais propensa à oposição, resta saber se terá influência suficiente para convencer seus pares.

3- Quanto ao PR, sua principal liderança é o vereador Joel Gomes, correligionário de Vitalino e Vanilda Patriota. Adversário histórico de Sávio Torres, Joel está numa situação constrangedora com a possibilidade de vir a ocupar o mesmo palanque. Sobe? Quem conhece Joel, diz que não. Sem Joel o grupo de Vitalino Patriota ficará bastante fragilizado.

5- O PV é partido novo no município. Seu presidente, Zé Tunu, é da família do atual prefeito Sávio Torres. Zé Tunu é boa gente, mas não é político nem ambientalista. Aliás, quem são os outros “verdes” de Tuparetama?

6- Afinal só temos uma certeza: imprevisível e incoerente tanto quanto as novelas da TV, a política de Tuparetama traz novidades e reviravoltas a cada semana. Por isso aguardemos os próximos capítulos.